Rio de livros

     Uma instalação gigantesca tomou conta de uma praça em Melbourne, Austrália, com o objetivo de criar um “rio transbordando de livros“. Alocada em um local originalmente destinado aos tráfego de carros e pedestres e nas palavras de um dos organizadores este é um gesto simbólico em que a literatura toma o controle das ruas e se torna a conquistadora do espaço público, oferecendo aos cidadãos, um espaço, em que o tráfego perdeu espaço,  rendendo-se ao singelo poder da palavra escrita.
     A obra foi feita com 10.000 livros descartados por bibliotecas públicas que foram recolhidos pelo Exército da Salvação e ficou 30 dias em exposição. Uma obra fantástica que deve ter emocionado e tocado de inimagináveis formas quem teve o privilégio de visitá-la.




p.s. não esquece de clicar em alguma das fotos e conferir mais imagens fantásticas.

Confissão de um verdadeiro crime bibliográfico

     Esses dias conheci o blog  Doce Palabras, que é de uma moça que coleciona “marcas de propriedade” principalmente ex libris e os textos dela falando sobre as aventuras para aumentar a coleção são deliciosos, um de novembro de 2008 conta que em uma das andanças pelas livrarias de Donceles, ela se depararou com uma situação curiosa: um livro italiano de arquitetura do século XVIII possuia quatro ex libris sobrepostos, os proprietários foram colando um sobre o outro, mas ela não se fiz de rogado e foi descolando um a um até chegar ao primeiro ex libris. 
     Esta é uma história inusitada que enche a cabeça dos aficcionados por bibliofilia com especulações, eu não consegui resistir e criei no mínimo umas 100 histórias hipotéticas para justificar a atitude dos proprietários do livro, todas elas totalmente fabulosas e inverossímeis, mas acredito que justamente nessa possibilidade que reside o encanto de se colecionar objetos antigos relacionados à livros.

O Mapa do Tempo

     A estrutura narrativa foi um dos aspectos que mais me cativou nesta leitura, a história nos é apresentada por um narrador onipresente e onisciente que se dirige diretamente ao leitor, esse recurso faz com que nos sintamos em uma conversa, dá até mesmo para imaginar a cadência da voz, a fluidez do discurso, sim sem dúvida o livro já me ganhou nas primeiras linhas.
     O livro é composto de várias histórias, que vão se interligando de forma surpreendente, primeiro conhecemos Andrew Harrington, um jovem que teve sua vida profundamente afetada por Jack, o estripador, pois, sua amada Marie foi a última vítima do serial killer que aterrorizou Londres em 1888. Oito anos depois, quase enlouquecido pela dor, ele pretende voltar no tempo para impedir o assassinato de Marie, essa possibilidade se faz real com a inauguração de uma curiosa empresa chamada Viagens Temporais Murray que organiza viagens no tempo, a decepção no entanto não tarda a encontrá-lo quando descobre que apesar do nome plural a empresa só oferece viagens através da malha do tempo a uma única data, mais especificamente ao ano 2000. Também acompanhamos as divagações da jovem Claire Haggerty que gostaria de ter nascido em outra época tamanha é a sensação de estranhamento que tem diante dos hábitos e costumes da era vitoriana. E por fim temos H.G. Wells, o elo que faz a ligação entre todos os pontos da intrincada trama que Félix J. Palma teceu, e que também enfrenta desafios dignos de seus livros quando se depara com um misterioso viajante que ameaça assassiná-lo.
    O livro é muito bem escrito, a trama é bem costurada, cheia de detalhes e desafia o leitor pois, intercala momentos repletos de adrenalina e suspense com outros onde as divagações se sobressem conferindo à narrativa um ritmo próprio e muito adequado para o desenrolar da história, mas que também pode decepcionar os mais afeitos unicamente à ação.
     Para além de um livro sobre viagens no tempo, O mapa do tempo, é sobre as pessoas e como elas podem se deixar enganar quando seus anseios e desejos são atendidos pela mentiras. Gostei demais como as histórias se entrelaçaram, da participação de “personalidades” da era vitoriana, como Sherlock Holmes, Bram Stoker, Henry James, O Homem Elefantes, Jack, o Estripador, e é claro do próprio H.G. Wells e o desfecho delas foi simplesmente fantástico, sem dúvida é um livro que marca o leitor de várias formas, no que me diz respeito, todas elas foram muito positivas.
PALMA, Félix J. O Mapa do Tempo. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2010.
Essa leitura faz parte do Desafio Literário 2012  cuja temática do mês de Junho era a leitura de livros sobre Viagens no Tempo.
Aqui é possível ler as resenhas dos outros participantes.